Referência a passagens que me agradaram

"Finalmente a tia chamou:
      -Número Vinte e Sete, Mabinty Bangura.
     Apressei-me a ir buscar a minha comida, e reparei imediatamente que a minha tigela não estava tão cheia como a da maior parte das outras raparigas. Olhei para a tigela de Mabinty Suma. Estava só um bocadinho mais cheia do que a minha, tal como a da Número Vinte e Cinco, Mariama Kargbo. Percebi que não era bom ser a Número Vinte e Sete, porque já quase não havia arroz quando as tias chegavam à última rapariga."


     Nesta passagem está presente uma situação que a autora viveu bastante triste, pois foi para o orfanato para tentar voltar a ter uma família e acaba por perceber que é desfavorecida, tal como era quando vivia com o seu tio. Para além disso, demonstra também a falta de condições que aquele orfanato possuía para adquirir tantas crianças e que necessitava de uma intervenção urgente.
    De certa forma, está retratada numa pequena passagem uma grande parte da sua infância, visto que sempre fora uma criança desfavorecida, após a morte dos seus pais. Retrata também o que Michaela sentira naquele momento, isto é, uma grande angústia.


"Certa vez, perguntei à minha mãe:
     -Como é que vou saber se um rapaz me ama?
     Ela respondeu:
     -Será teu amigo. Far-te-á feliz. Dar-te-á espaço e ser-te-á fiel. Respeitará as tuas escolhas. Deixar-te-á voar e não tentará cortar-te as asas. -E concluiu, com um sorriso: -E nunca lhe passaria pela cabeça fazer-te chorar do princípio ao fim das férias."


     No entanto, nesta passagem está presente uma conversa que Michaela teve com a sua mãe após de ter tido a sua primeira desilusão amorosa.
     Eu gostei bastante desta passagem e marcou-me imenso, dado que a autora sempre fora apaixonada somente pelo ballet e quando se apaixona pela primeira vez por um rapaz é magoada. Na minha opinião, a mãe adoptiva soubera perfeitamente o que lhe dizer.